sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

não, isto não é uma ode ao sistema nacional de saúde.

Não me entra na cabeça como é que uma médica é capaz de ser tão cold hearted bitch ao ponto de internar uma pessoa, saber que a pessoa está mal e que só irá piorar, e não dizer nada à família. Para, um mês depois, vir dizer, de peito cheio de ar e nariz empinado, "ah, sabe, ela está por horas, dias ou semanas. Piorou bastante.".

A dita adorável estimada técnica de Saúde teve muita sorte, porque se me tivesse dito isso a mim e não a um tio meu, teria ouvido das boas. "Piorou bastante." - olhe querida, só quem não tem olhos na cara é que não reparava nisso. E como, graças a Deus, toda a nossa família ainda tem olhos na cara, nós reparámos nisso. Mas ao longo de um mês, que respostas é que recebemos da "oh-so-great" médica?? Zero, niente, nada. É claro que se estranhou, mas o desinteresse por parte dos médicos para com os seus doentes já não é novidade nenhuma. O que ainda nos valeu foram os enfermeiros que, sempre preocupados, lá nos iam dizendo alguma coisa, mas nada de concreto.

Adoro pessoal assim. Que entrou em Medicina, fez o cursinho, tirou a sua especialidade, mas o jeito para a coisa ficou em casa e de lá não sai. Conheço muita gente assim, e esta senhora só me prova que isto acontece já há muitos anos.

Uma coisa que não me entra na cabeça é o facto de como é que deixaram uma pessoa, que vinha ao hospital duas a três vezes por mês por ordens médicas, chegar a este estado lastimável...

E a cereja no topo do bolo aconteceu ontem: como a minha avó dá imenso trabalho naquela cama de hospital (sim, estou a ser irónica), querem mandá-la para um Centro de Cuidados Paliativos, provavelmente a quase 200 km de casa, porque não há vaga no mais próximo aqui da nossa cidade.

Portanto, o que retiro desta última tirada da estimada senhora doutora é que ela quer mesmo matar a minha avó. Sim, matar. E não tentar tratar. Porque, se a enviarem para o tal centro, quem é que vai poder estar com ela?! Não sei se a senhora estimada doutora tem noção que a minha avó não se foi ainda mais abaixo, porque todos os dias nos tem lá a nós...

É na boa. Enquanto 98% dos médicos existentes nos hospitais portugueses não entenderem a sua profissão e não tiverem um bocadinho de noção das coisas, é claro que o nosso Sistema Nacional de Saúde não anda para a frente.

E desculpem esta merda de post, mas é que estou mesmo passada. Se apanhasse a estúpida da médica à frente nem sei o que lhe fazia.

parafina falsificada

6 comentários:

Meio Cheio disse...

Tens todo o direito de estar passada...infelizmente é a realidade de sistema de saude que temos. Qualquer um agora tira medicina desde que tenha boa cabeça para decorar coisas, ou tenha um bom blackberry para onde passar os apontamentos. É triste mas é verdade...e é nas mãos destas pessoas que metemos as nossas vidas.
Batam o pé e não a deixem enviar a tua avó para tão longe...há-de haver alguma alternativa mais viavel.
Força...sim? =)
Beijo*

Angelik disse...

O post é muito bom!
Sei prefeitamente o que estás a sentir. Já passei por uma situação semelhante essa...
Muita força, beijocas e os votos sinceros de melhoras para a vóvó!

rummy_ disse...

é assustador pensar q neste país toda a gente entra para a faculdade e depois iremos ter, no mundo do trabalho, pessoas atadas e sem noções. (o que não deve acontecer só na área da medicina...)

força!

Carlos Sanches disse...

Compreendo como te sentes..Mas que situação...
Espero que se resolva e que corra tudo pelo melhor!
As melhoras, coragem e muita força!
Beijinho*

marisa morera disse...

Força gaja. Um beijinho*

Sónia disse...

compreendo a revolta que se possa sentir nestes momentos. Estamos fragilizados e nem sempre vemos as coisas da forma mais objectiva. Acerca da primeira parte não opino, a verdade é que muitos médicos não estabelecem propriamente a melhor relação com os doentes e seus familiares, mas também é verdade que temos de compreender que os médicos não são Deuses, às vezes as pessoas vão mesmo piorar e não há nada a fazer.

Acerca da segunda parte porém tenho de dizer que os hospitais não foram feitos para as pessoas lá passarem uma eternidade, no Hospital devemos estar o menos tempo possível, servem para tratar casos graves e para depois irmos embora, sai caro (e sim eu sei que isto não interessa minimamente quando é de saúde que falamos)e uma pessoa numa cama significa que outra pessoa não pode estar nessa mesma cama. A acrescentar a isto, muitas vezes os médicos se pudessem até mantinham os doentes lá se fosse possível mas voltamos à questão dos médicos não serem Deuses, têm de obedecer a um director de serviço, hospital, governo e respectivas medidas de economia. E seria optimos se já tivessemos uma rede de cuidados continuados perfeita mas não é o caso, não obstante não se pode culpar os médicos de tudo.

São pessoas como outras quaisquer, têm o direito a errar e têm imensos doentes para atender é impossível dispensar a todos os doentes e todos os familiares toda a atenção que estes pretendem temos de nos contentar em receber a atenção que nos é devida.

de qualquer forma, força ;)